domingo, 18 de abril de 2010
Epifania De Dois Segundos
sexta-feira, 16 de abril de 2010
at a Friday Night...
quinta-feira, 15 de abril de 2010
*Mode "sigh" ON*
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Lembranças...
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Continuação...
Isso só pode ser um sonho.
Acorde, Sara. Você tem que acordar.
Eu estava em uma espécie de bolha – pelo menos era isso o que parecia.
Eu inclinava minha cabeça para frente e tentava ver o que estava à minha frente, mas eu não conseguia enxergar muita coisa.
Estava tudo branco e isso dificultava minha visão. Mesmo assim, eu ainda apertava meus olhos na tentativa de ver algo.
Havia algumas formas que me lembravam pessoas, mas acho que todas estavam de costas para mim. De um jeito ou de outro não passavam de vultos. Os vultos andavam e me ignoravam.
De repente, os vultos ficaram mais nítidos e eu vi um deles sendo arrastado por outros à força.
A brancura ao meu redor foi se fragmentando e eu pude reconhecer as paredes e os corredores de um hospital. E eu reconheci aquele hospital também.
Notei que a nitidez estava apenas voltada para quem era arrastado. Essa pessoa gritava e chorava muito. Ela implorava.
Por favor, pedia. Por favor, não me deixem mais aqui!
Eu queria gritar.
Eu queria ir até lá, correr até lá, e ajudar aquela pessoa.
Mas eu não podia. Eu não conseguia.
Não estava mais em uma bolha, mas estava sendo puxada para longe de todo aquele tumulto.
Eu caí.
Caí no escuro e fiquei sentada. Olhava em volta, mas não via mais nada. No entanto, eu ouvia. Eu ainda ouvia as súplicas e os gritos daquela pessoa. Em meio a eles, veio uma voz diferente. Uma voz que eu conhecia.
Não se preocupe, disse a voz. Tudo vai acabar bem.
Levantei e olhei para cima. Não sabia quem estava falando comigo, mas achava que estava acima de mim.
Por que quer ajudá-la?, perguntou. Ela nunca te ajudou antes, Sara.
Sacudi a cabeça e tentei localizar a fonte da voz.
Agora eu não ouvia mais os gritos.
Não precisa se preocupar mais com ela, Sara. Ela vai esquecer de você logo, a voz continuava a falar.
Um grito – desta vez meu – ecoou pelo ar.
- Pára com isso! – Ordenei.
Atrás de mim, uma porta se abriu. Por ela passava uma luz forte e branca, como a do corredor do hospital. Uma pessoa era jogada por essa porta para onde eu estava.
Ela deitou e permaneceu imóvel. Estava desacordada, mas mesmo estando escuro, eu reconheci que era a mesma pessoa que suplicava no corredor do hospital. Mas, mais do que isso. Eu reconheci suas feições.
Seus gritos eram distantes e chocantes, mas familiares.
Seu corpo era maior do que o meu. Bom, apenas no sentindo de altura. Ela era muito magra. E s não fosse pela desnutrição, poderia ser uma mulher bonita. Cabelos negros e compridos até a cintura. Lisos. Os olhos, mesmo fechados, eu sabia que eram azuis. Um azul bonito e prateado. Metálico.
Meu maxilar tremia para dizer a palavra. Eu podia chamá-la. Eu precisava chamá-la.
Ela não pode te ouvir, Sara. A voz distante falava novamente. Ela se esqueceu de você. Esqueça-se dela também.
Sacudi a cabeça, já chorando aos baldes e resistindo contra a pressão de me ajoelhar.
Como você quer que ela se lembre de você, Sara?Me responda.
Caí, derrotada pelo o que aquilo representava para mim. Olhei para o chão e senti uma lágrima cair da ponta do meu nariz.
Eu sabia que ela tinha se esquecido de mim. Não havia como ela se lembrar de mim, não depois de tudo o que aconteceu com ela. Não sabendo como, mas levantei os olhos e olhei para ela novamente. Ela continuava imóvel, mas agora parecia mais próxima de mim.
Ela não está morta, Sara. Ela pode te ouvir... mas não pode se lembrar.
Respirei fundo várias e várias vezes, contendo o restante do choro. Eu sabia que se eu falasse o que eu tinha para falar, ela acordaria. E eu queria que ela acordasse, mas, ao mesmo tempo, tinha medo. Eu tinha medo de ver o que ele havia feito a ela.
E eu sabia quem era ele.
Eu sabia que a voz vinha dele e eu sabia que se eu pudesse, eu nunca mais o veria. Foi ele quem acabou com ela. Foi ele quem fez ela se tornar o que ela se tornou. E foi ele quem fez ela se esquecer de mim.
Pela última vez, tomei fôlego e me preparei para dizer, mas, de repente, um vento forte começa a levá-la para longe de mim. Mais uma vez a estariam levando? Quando eu a veria de novo? Eu a veria de novo?
Antes que eu pudesse ter a chance de pensar em qualquer uma das respostas para essas perguntas, a voz dele me veio de novo aos ouvidos.
Você demorou demais, Sara querida. Demais.
- NÃO! – Gritei em sentando na cama.
E eu não estava mais lá.
Eu estava de volta ao meu quarto, com a luz do poste da rua entrando pelo vão da janela.
Outro pesadelo, constatei, respirando aliviada.
Passei a mão em minha testa. Eu estava suando.
Olhei o relógio. Seis e treze da manhã.
Estava na hora de acordar, mas não para ir à escola. Hoje não.
Dei por mim que o sonho foi um aviso. Eu precisava vê-la. Mesmo que isso me fizesse manchar minha maquiagem com lágrimas. Eu precisava saber, ver, que ela ainda estava viva."
do svidaniya, Clara Ferreira
sábado, 27 de março de 2010
Isn't Someone Missing?
terça-feira, 23 de março de 2010
A Prática de Entender, A Arte de Compreender
Quando estamos com um problema e desabafamos com alguém, esse alguém muitas vezes vira e fala para você “eu te entendo”. Isso é ótimo. Essa pessoa passou para você a idéia de que suas razões sobre aquilo pelo o que você estava passando estavam corretas. Mas, acho que essa pessoa quis ser mais do que “aquela que entende”. Ela quis dizer, se ela estiver sendo honesta, que talvez ela te apoiasse nisso e que ela poderia ter feito a mesma coisa, pois ela aceitou as suas razões.
É essa a diferença entre entender e compreender.
Entender: ficar a par dos motivos dos outros.
Compreender: saber das razões do outro e aceitar isso.
Não há muito tempo, me deparei com a seguinte cena: uma amiga desabafando com a outra. Sem lágrimas. Sem abraços melosos. Apenas duas amigas (verdadeiras) dividindo uma situação difícil entre si.
O alguém especial de uma dessas amigas havia ficado com outra pessoa. Essa menina ficou arrasada. Fiquei sabendo que ela queria desmoronar, mas achou que seria besteira, por afinal de contas, ele não era o “amor da vida dela”. Era apenas um cara que poderia ser alguém mais especial.
Foco: elas estavam conversando. Estavam em uma festa, não muito movimentada, não muito cheia... uma reunião para amigos e família. Enquanto conversavam uma estava triste pelo o que havia acabado de ouvir, e a outra pelo o que aquilo a fazia lembrar.
Depois de já ter ouvido todas as razões e anseios da amiga, aquela que a estava ouvindo fala “eu te entendo”. E elas começam a falar de outra coisa. Mas, antes que a conversa mudasse muito de rumo, aquela que estava triste disse para a outra “você não me entende. Você me compreende”. A outra assentiu, conformada e solidária.
Oras, se essas duas amigas passaram por situações parecidas e estavam comentando-as de tal forma, é lógico que elas irão se compreender. Nenhuma delas vai apenas ficar a par do que a outra viveu. Elas vão se por no lugar da outra (com muita facilidade neste caso) e vão ver que não estavam sozinhas. Pode até haver um final feliz nessa história. Ou dois.
Mas, mais do que isso, elas vão se apoiar no que cada uma aprendeu de suas próprias vivencias e histórias e isso vai dar força a elas para que elas continuem em frente. Outros virão, é o que eu penso (e tento me convencer) e essas amigas podem continuar a chorar por eles, ou podem dar valor a algo que realmente importe.
do svidaniya, Clara Ferreira
PS> quando as amigas da festa se despediram, uma delas falou para a outra "qualquer coisa, me liga". Foi nesse momento que ela soube que fora compreendida.
PSS: hoje é aniversário da minha prima linda, Gabriela *-* parabens, amor. Te amo muito s2