quinta-feira, 15 de abril de 2010
*Mode "sigh" ON*
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Lembranças...
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Continuação...
Isso só pode ser um sonho.
Acorde, Sara. Você tem que acordar.
Eu estava em uma espécie de bolha – pelo menos era isso o que parecia.
Eu inclinava minha cabeça para frente e tentava ver o que estava à minha frente, mas eu não conseguia enxergar muita coisa.
Estava tudo branco e isso dificultava minha visão. Mesmo assim, eu ainda apertava meus olhos na tentativa de ver algo.
Havia algumas formas que me lembravam pessoas, mas acho que todas estavam de costas para mim. De um jeito ou de outro não passavam de vultos. Os vultos andavam e me ignoravam.
De repente, os vultos ficaram mais nítidos e eu vi um deles sendo arrastado por outros à força.
A brancura ao meu redor foi se fragmentando e eu pude reconhecer as paredes e os corredores de um hospital. E eu reconheci aquele hospital também.
Notei que a nitidez estava apenas voltada para quem era arrastado. Essa pessoa gritava e chorava muito. Ela implorava.
Por favor, pedia. Por favor, não me deixem mais aqui!
Eu queria gritar.
Eu queria ir até lá, correr até lá, e ajudar aquela pessoa.
Mas eu não podia. Eu não conseguia.
Não estava mais em uma bolha, mas estava sendo puxada para longe de todo aquele tumulto.
Eu caí.
Caí no escuro e fiquei sentada. Olhava em volta, mas não via mais nada. No entanto, eu ouvia. Eu ainda ouvia as súplicas e os gritos daquela pessoa. Em meio a eles, veio uma voz diferente. Uma voz que eu conhecia.
Não se preocupe, disse a voz. Tudo vai acabar bem.
Levantei e olhei para cima. Não sabia quem estava falando comigo, mas achava que estava acima de mim.
Por que quer ajudá-la?, perguntou. Ela nunca te ajudou antes, Sara.
Sacudi a cabeça e tentei localizar a fonte da voz.
Agora eu não ouvia mais os gritos.
Não precisa se preocupar mais com ela, Sara. Ela vai esquecer de você logo, a voz continuava a falar.
Um grito – desta vez meu – ecoou pelo ar.
- Pára com isso! – Ordenei.
Atrás de mim, uma porta se abriu. Por ela passava uma luz forte e branca, como a do corredor do hospital. Uma pessoa era jogada por essa porta para onde eu estava.
Ela deitou e permaneceu imóvel. Estava desacordada, mas mesmo estando escuro, eu reconheci que era a mesma pessoa que suplicava no corredor do hospital. Mas, mais do que isso. Eu reconheci suas feições.
Seus gritos eram distantes e chocantes, mas familiares.
Seu corpo era maior do que o meu. Bom, apenas no sentindo de altura. Ela era muito magra. E s não fosse pela desnutrição, poderia ser uma mulher bonita. Cabelos negros e compridos até a cintura. Lisos. Os olhos, mesmo fechados, eu sabia que eram azuis. Um azul bonito e prateado. Metálico.
Meu maxilar tremia para dizer a palavra. Eu podia chamá-la. Eu precisava chamá-la.
Ela não pode te ouvir, Sara. A voz distante falava novamente. Ela se esqueceu de você. Esqueça-se dela também.
Sacudi a cabeça, já chorando aos baldes e resistindo contra a pressão de me ajoelhar.
Como você quer que ela se lembre de você, Sara?Me responda.
Caí, derrotada pelo o que aquilo representava para mim. Olhei para o chão e senti uma lágrima cair da ponta do meu nariz.
Eu sabia que ela tinha se esquecido de mim. Não havia como ela se lembrar de mim, não depois de tudo o que aconteceu com ela. Não sabendo como, mas levantei os olhos e olhei para ela novamente. Ela continuava imóvel, mas agora parecia mais próxima de mim.
Ela não está morta, Sara. Ela pode te ouvir... mas não pode se lembrar.
Respirei fundo várias e várias vezes, contendo o restante do choro. Eu sabia que se eu falasse o que eu tinha para falar, ela acordaria. E eu queria que ela acordasse, mas, ao mesmo tempo, tinha medo. Eu tinha medo de ver o que ele havia feito a ela.
E eu sabia quem era ele.
Eu sabia que a voz vinha dele e eu sabia que se eu pudesse, eu nunca mais o veria. Foi ele quem acabou com ela. Foi ele quem fez ela se tornar o que ela se tornou. E foi ele quem fez ela se esquecer de mim.
Pela última vez, tomei fôlego e me preparei para dizer, mas, de repente, um vento forte começa a levá-la para longe de mim. Mais uma vez a estariam levando? Quando eu a veria de novo? Eu a veria de novo?
Antes que eu pudesse ter a chance de pensar em qualquer uma das respostas para essas perguntas, a voz dele me veio de novo aos ouvidos.
Você demorou demais, Sara querida. Demais.
- NÃO! – Gritei em sentando na cama.
E eu não estava mais lá.
Eu estava de volta ao meu quarto, com a luz do poste da rua entrando pelo vão da janela.
Outro pesadelo, constatei, respirando aliviada.
Passei a mão em minha testa. Eu estava suando.
Olhei o relógio. Seis e treze da manhã.
Estava na hora de acordar, mas não para ir à escola. Hoje não.
Dei por mim que o sonho foi um aviso. Eu precisava vê-la. Mesmo que isso me fizesse manchar minha maquiagem com lágrimas. Eu precisava saber, ver, que ela ainda estava viva."
do svidaniya, Clara Ferreira
sábado, 27 de março de 2010
Isn't Someone Missing?
terça-feira, 23 de março de 2010
A Prática de Entender, A Arte de Compreender
Quando estamos com um problema e desabafamos com alguém, esse alguém muitas vezes vira e fala para você “eu te entendo”. Isso é ótimo. Essa pessoa passou para você a idéia de que suas razões sobre aquilo pelo o que você estava passando estavam corretas. Mas, acho que essa pessoa quis ser mais do que “aquela que entende”. Ela quis dizer, se ela estiver sendo honesta, que talvez ela te apoiasse nisso e que ela poderia ter feito a mesma coisa, pois ela aceitou as suas razões.
É essa a diferença entre entender e compreender.
Entender: ficar a par dos motivos dos outros.
Compreender: saber das razões do outro e aceitar isso.
Não há muito tempo, me deparei com a seguinte cena: uma amiga desabafando com a outra. Sem lágrimas. Sem abraços melosos. Apenas duas amigas (verdadeiras) dividindo uma situação difícil entre si.
O alguém especial de uma dessas amigas havia ficado com outra pessoa. Essa menina ficou arrasada. Fiquei sabendo que ela queria desmoronar, mas achou que seria besteira, por afinal de contas, ele não era o “amor da vida dela”. Era apenas um cara que poderia ser alguém mais especial.
Foco: elas estavam conversando. Estavam em uma festa, não muito movimentada, não muito cheia... uma reunião para amigos e família. Enquanto conversavam uma estava triste pelo o que havia acabado de ouvir, e a outra pelo o que aquilo a fazia lembrar.
Depois de já ter ouvido todas as razões e anseios da amiga, aquela que a estava ouvindo fala “eu te entendo”. E elas começam a falar de outra coisa. Mas, antes que a conversa mudasse muito de rumo, aquela que estava triste disse para a outra “você não me entende. Você me compreende”. A outra assentiu, conformada e solidária.
Oras, se essas duas amigas passaram por situações parecidas e estavam comentando-as de tal forma, é lógico que elas irão se compreender. Nenhuma delas vai apenas ficar a par do que a outra viveu. Elas vão se por no lugar da outra (com muita facilidade neste caso) e vão ver que não estavam sozinhas. Pode até haver um final feliz nessa história. Ou dois.
Mas, mais do que isso, elas vão se apoiar no que cada uma aprendeu de suas próprias vivencias e histórias e isso vai dar força a elas para que elas continuem em frente. Outros virão, é o que eu penso (e tento me convencer) e essas amigas podem continuar a chorar por eles, ou podem dar valor a algo que realmente importe.
do svidaniya, Clara Ferreira
PS> quando as amigas da festa se despediram, uma delas falou para a outra "qualquer coisa, me liga". Foi nesse momento que ela soube que fora compreendida.
PSS: hoje é aniversário da minha prima linda, Gabriela *-* parabens, amor. Te amo muito s2
segunda-feira, 22 de março de 2010
A Marcha Das Nuvens
Noite, 20:31 (horário de início).
Eu estou cansada e quero MUITO uma cama. Fui dormir ontem às 3 da matina (maldito seja esse vício de fics que me foi implantado)... muito bem, foco:
Acordei (ok, na verdade fui desperta pelo meu celular que tocava Other Father Song) e fui para a escola. Uau... algo inédito aconteceu lá hoje.
Pela primeira vez em dois anos tendo aula de Matemática com o Júlio, eu confesso que vegetei na aula dele. Não era minha intenção. Juro. Mas, quando dava por mim, já estava com pensamentos distantes. Elemesmo me perguntou o porquê de eu estar com uma cara de "ponto de interrogação". Ok, admito que Geometria não é a coisa mais interessante do mundo, mas eu REALMENTE tinha feito e acertado boa parte dos exercícios de PG que ele passou para a sala... eu só não havia entendido aqueles que envolviam as Propriedades Distributivas (morram, fantasmas da 7ª série).
Voltando ao foco, minha amiga me emprestou o Diário de Anne Frank hoje e eu só não o li na aula de inglês hoje pelo fato de o documentário estar REALMENTE interessante (e eu querer tomar notas mentais para um trabalho que temos que fazer em cima disso). Outro fator contribuinte: Anne falava APENAS de comida e eu estava V-A-R-A-D-A de fome.
Enfim, cheguei na casa da minha vó e devorei meu almoço. Como aquilo estava bom (x3). Dormi até as 2:20 da tarde... abençoados sejam os cochilos.
Quando acordei, nossa, como eu queria continuar dormindo. (Podem me chamar de preguiçosa, mas eu dormi só 3 horas ontem, ok???) Mas, não podia. Havia 9 exercícios de Matemática que precisavam serem refeitos (da devida maneira).
Claro que copiei o raciocínio de muitos (outra coisa inédita, pois NUNCA fiz isso com Matemática do EM). Terminei e olhei para o relógio. 3:30 ainda... eu sabia que se voltasse para a cama, dormiria (ainda mais com a dor de cabeça que me rondava), mas eu sabia que se fizesse isso, não dormiria à noite. E começaríamos tudo de novo.
Peguei o telefone e disquei o número da minha melhor amiga (eu tenho mania de ligar para os outros para conversar sobre coisas inúteis, às vezes dá certo). Tocou e tocou... nada. Desliguei e suspirei. Decidi fazer uma tentativa diferente. Disquei outro número e quem atendeu estava dormindo.
Ok, eu sei que é falta de educação acordar os outros, mas é que o tédio estava me dominando e eu queria conversar... Mas, depois de 5 segundos embaraçosos no silêncio mais tenso de todos, decidir não esperar pelo fim de tarde e ir logo à academia (acho que quando desliguei o telefone minha amiga me xingou de todos os nomes possíveis).
A academia estava mais animada do que eu me lembrava. Uau, faziam duas semanas que eu não pisava naquele prédio. Tenso isso. Claro que estou toda doída.
Cheguei de novo na casa da minha vó eram 5:15. Estava comendo uma maçã quando tivemos a chegada dos parentes distantes. Pergunta: por que eles sempre vêm nos visitar quando queremos paz, tranqüilidade e sossego? Eu estava comendo uma maçã, oras!
Mas não foi de todo ruim. Vi minha tia avó favorita (de quem estava com saudades) e isso bastou pra mim.
Entrei de novo em casa, terminei minha maçã no quintal da casa. Fiquei observando as nuvens enquanto isso. Me pergunto: são as nuvens que andam, ou somos nós que estamos nos movendo sem saber?
Terminada minha maçã, entrei para tomar O banho. Juro: se a água da chuva fosse da temperatura que estava meu banho, tomar banho de chuva seria algo que eu realizaria com freqüência.
Saí do banho e me JOGUEI no sofá da sala. Como aquele lugarzinho é bom (<333).
Fiquei lá vendo The Simpsons e Two And A Half Men (quem não ri das coisas toscas ditas nessas séries, que atire a primeira pedra). Uma coisa que me frustrou muito: quando duas de suas bandas favoritas tem seus clipes exibidos na TV, vc gosta de ver o clip T-O-D-O, e não o final! Saco... só me faltou passar Killer Queen e eu não ver, pois Do Ya e My Immortal deram de passar JUSTO hoje!
Enfim, voltei para casa e estou aqui... postando e tomando o tempo de vocês com isso. Achei que ia ser interessante se eu narrasse como foi meu dia, mas vejo que foi... estranho. Gosto de narrar a vida de personagens que invento, pois sei que são criaturas fictícias e não se importam de ter a vida contada por outro (mesmo que a história seja em primeira pessoa), mas contar a MINHA história? Não me imagino fazendo isso... não diretamente, pelo menos.
Pergunta: por que músicas, que sabemos apenas três versos, são aquelas que mais ficam na cabeça?
Noite, 21:53 (horário de término).
do svidaniya, Clara Ferreira
sexta-feira, 19 de março de 2010
Queria Ter Tido Essa Idéia
Para aqueles que se interessaram, aqui está a capa do livro:

do svidaniya, Clara Ferreira